Como fede esse campeonato


Fujo da tentação de clamar contra o “árbritro” que nos tomou a vitória no clássico contra o clube cor-de-rosa. Ofendê-lo, xingá-lo, criticá-lo seria chover no molhado e de nada nos adiantaria. É inegável: o sujeito cometeu um erro bizonho ao marcar aquele impedimento do atacante do time bicolor e foi surpreendido com o primeiro gol coral logo em seguida. No intervalo soube da merda que tinha feito e passou o segundo tempo esperando a chance de cometer um novo erro que, em sua mente primitiva, compensaria o anterior.
Não há mais razão para remoer isso também aqui no blog. O problema é maior do que erros de um juiz numa única partida: o campeonato pernambucano é que não presta. É um tremendo desmantelo.
Há clubes em demasia, os árbitros são desqualificados, os horários das partidas inadequados, a tabela é toda desequilibrada, o TJD é completamente parcial e estimula a violência. De ontem para hoje, pensei numa pequena lista de razões que apontam como e porquê o campeonato pernambucano é uma porcaria imensa, sórdida tal qual um lixão a céu aberto!

Eis os fatos que desfilaram pela minha cabeça nas últimas horas:
a) As origens do inchaço do campeonato já caíram no esquecimento, pois consideramos a quantidade de 12 clubes participantes quase como algo natural. Esquecemos que, até 2007, eram 10 times. O finado (já foi tarde) presidente da FPF foi quem criou as 12 vagas numa canetada. Na época, ele abriu mais duas vagas para caber o Centro Limoeirense, time da sua terra natal e onde sempre manteve atuação político-eleitoral. O resultado é este: não há datas reservas para jogos adiados, clássicos logo no começo do ano ou na véspera do carnaval, prazo reduzido para os times se prepararem, quase não há tempo para as rodadas da Copa do Brasil.
b) Consequência direta do inchaço, a tabela é uma zorra, com evidente desequilíbrio entre os participantes: o Araripina jogou com os três grandes da capital nas primeiras cinco rodadas, com exceção da estreia o Santa Cruz perde renda com todas as suas partidas em casa no primeiro turno às 19h30min de quarta-feira, o clássico entre as duas maiores torcidas do estado foi marcada para a antevéspera do carnaval, com a cidade toda tomada por prévias. Nesse quesito, a lista de absurdos é sem fim.
c) O TJD é presidido por uma pessoa sem qualquer isenção. O ex-desembargador é rubro-negro de quatro costados, com participação ativa na vida do seu clube de coração. Diriam os mais ingênuos que ele foi desembargador da justiça, é um homem com experiência e outras bobagens do gênero. A esses argumentos, eu diria que a vida pregressa do desembargador é o que menos recomenda – devidamente investigada pelo STF há alguns anos – sua presença em um cargo que exige isenção. Não foi por acaso que ele, em decisão individual, reduziu a pena de Marcelinho Paraíba (único articulador de jogadas do seu clube de coração) de quatro para apenas uma partida. E olhe que Marcelinho agrediu o adversário com uma tesoura voadora, por trás e quando o jogo já tinha acabado.
d) A incompetência dos juízes de futebol de Pernambuco não é um caso isolado como querem nos fazer crer. Raras são as rodadas que os erros dos árbitros não são o assunto mais comentado de cada semana. Cláudio Mercante nos prejudicou na primeira decisão do estadual de 2011 ao permitir o início da partida com um jogador bicolor já correndo no campo do Santa Cruz; esse ano, o mesmo Mercante não coibiu a violência e foi responsável indireto pela contusão séria de um atacante do outro bicolor; quarta-feira, Ricardo Tavares não conseguia sequer colocar a barreira do bicolor de Caruaru no lugar certo; ontem, foi Emerson Sobral, mas no ano passado Nielson Nogueira não marcou pênalti em Thiago Mathias no primeiro clássico contra o bicolor cor-de-rosa. Toda semana, um juiz diferente está na berlinda. A ruindade é algo comum ao quadro de arbitragem de Pernambuco, não apenas a fulano ou sicrano.
Bastaria pensar um pouquinho mais para que essa lista incluísse os itens e, f, g, h… até z.
Por essas razões, não podemos deixar nosso time atravessar sozinho esse campeonato, cercado de sujeira e podridão. Por mais críticas que mereçam um jogador ou até mesmo o treinador, precisamos lotar o Arruda sempre para que eles não se sintam sozinhos no Lixão 2012.

Por Inácio França (Blog do Santinha)

Santa Cruz News

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