Filosofia, tecnologia e futebol.



Hoje em dia, juízes de futebol usam microfones, e os bandeirinhas usam bastões eletrônicos que emitem alertas ao juiz quando há impedimentos. Mas há aqueles que querem mais, e falam da necessidade de usar sistemas de câmeras em lugares estratégicos, para servir como recurso de validação ou anulação de um lance; como um pênalti, um impedimento, um gol, etc...

Enquanto o debate filosófico acerca da utilização da tecnologia - no futebol - não avança, os clubes brasileiros, e o público, ficam a mercê do despreparo da arbitragem.
E os absurdos vão marcando a história do futebol. Por exemplo, em 2006, no jogo Austrália X Croácia, o juiz só expulsou o jogador Simunic, da Croácia, depois do terceiro amarelo. É isso mesmo. O jogador recebeu dois amarelos; um aos 16 minutos do primeiro tempo, e outro aos 36 minutos, mas não foi expulso e continuou no jogo. Só nos acréscimos, após fazer mais uma falta e levar o terceiro amarelo, o jogador foi expulso.


Casos de bolas que não entraram, mas que o juiz marcou gol, ou de bolas que entraram e o juiz não marcou gol; impedimentos que existiram, mas não foram marcados; ou que não existiram, mas foram marcados, são comuns no nosso futebol. Tais erros, muitas vezes, determinam o placar dos jogos e deixam torcedores irritados, provocando até violência dentro e fora dos estádios.


Mas o debate filosófico continua e traz a tona três elementos intrigantes. 1) A negação do uso da tecnologia pela preservação da naturalidade do jogo, que se confunde com a própria naturalidade da vida, onde a possibilidade do erro é um dos elementos inerentes que sustentam a emoção do futebol. 2) A utilização de tais tecnologias promoveria a justiça nas partidas e, consequentemente, fortaleceria o trabalho dos clubes e dos atletas, que muitas vezes são prejudicados por erros da arbitragem.
3) E, por ultimo, a terceira posição defende o uso da tecnologia apenas em lances especiais, que não comprometam a tal emoção e a dinâmica do futebol. Essa posição também deixa claro que em lances que dependam da interpretação do arbitro, não seria empregada a tecnologia, pois a preservação de tal interpretação é primordial para o espetáculo do futebol. Por exemplo, se foi mão na bola, ou bola na mão; se o jogador estava em impedimento passivo ou ativo...
 O receio daqueles que são contra o uso da tecnologia, é que ela, entre outras coisas, acabe com uma das magias do futebol - a polêmica - além de comprometer a diversidade de opiniões dentro desse esporte.
Por outro lado, os racionalistas que defendem o uso da tecnologia, pretendem diminuir o poder do árbitro, fazendo com que o jogo tenha mais controle e justiça.

Este debate está longe do fim, e, aos amantes do futebol, só resta esperar que alguma dessas linhas de pensamento sirvam de base para mudanças nas regras, no sentido de melhorar a paixão nacional que é o futebol.

Se não dermos algum passo adiante, vamos continuar assistindo esses verdadeiros desrespeitos com o espectador que vai aos estádios, ou que assiste pela Tv. Ultimamente, ver uma partida de futebol, tem se tornado um ritual sadomasoquista, pois, em muitos casos, há total consciência que presenciaremos erros graves por parte dos juízes, mas isso fica sempre impune. E para terminar, já que a filosofia serve de base para este debate, me veio a mente o pensador grego Aristóteles, quando diz o seguinte: "a perfeição é o meio-termo entre dois vícios". Fica a dica. 

Até a próxima, torcedores(as).
Jesus Tricolor


Jesus Tricolor

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