VIOLÊNCIA SIMBÓLICA NO FUTEBOL

Pierre Bourdieu
Em 1930, nascia o sociólogo francês Pierre Bourdieu, escritor de 300 títulos (entre livros e textos). Ele é o criador do conceito de “violência simbólica”, um processo pelo qual um grupo dominante impõe seus valores (ou cultura) aos demais, que são inconscientemente dominados.
A violência simbólica possui tantas facetas, que pode passar como natural por homens e mulheres, sem que ninguém perceba.

Você certamente já deve escutado e, até cantado, gritos que ecoam das arquibancadas, com conteúdo politicamente incorreto. As letras mais comuns são as que menosprezam homossexuais, mulheres, e até a religião afro-brasileira.

Músicas que chamam a torcida adversaria de “gay”, de forma pejorativa, são cantadas por milhares de torcedores, sem reflexão alguma, como se ser homossexual fosse algo monstruoso. E isso é visto como natural e divertido, porque existe no imaginário popular a ideia de que ser hetero é o correto, mas ser gay não é. A cultura hetero, nesse caso, é a dominante.

Há também, as letras com ataques as mulheres do time adversário, que são retratadas de forma sexista e inferior ao homem. Aqui, notamos que tal comportamento advém da cultura machista, que é dominante em nosso meio.

O conteúdo pornográfico desses cânticos é forte e atinge esses dois grupos (mulheres e homossexuais), sendo ouvidos por todos, inclusive crianças que estão dentro dos estádios, além de ser propagado através da televisão e do rádio que transmitem ao vivo.

A religião afro é, também, constantemente agredida quando uma torcida chama a outra de “macumbeiro”, por exemplo. A dita “macumba”, nada mais é do que um instrumento de percussão usado nos rituais religiosos africanos. Então, macumbeiro é quem toca a macumba, assim como guitarrista é quem toca guitarra.
Observem como o conceito de violência simbólica cabe perfeitamente em todos esses casos. Analisem.

A religião afro não é dominante em nossa sociedade, por isso, de forma geral, as pessoas não veem problema em desrespeitá-la. É um absurdo! Agora se alguém cantar algo que ofenda os cultos cristãos será logo taxado de herege e vai será exigido o devido respeito.

Será mesmo que a arte de torcer pelo seu time, precisa usar de preconceitos e violência simbólica contra alguns grupos?
O lado aparentemente “divertido” desse tipo de violência esconde o caráter perigoso desses valores preconceituosos que reproduzimos sem pensar.
Uma criança que vai ao estádio pode crescer achando normal xingar os outros de “veado”, “macumbeiros safados” ou chamar uma mulher de “puta”, apenas porque a pessoa torce para outro time.

Se quisermos formar cidadãos, baseado em valores humanos, jamais poderemos cantar, nem permitir que nossos filhos cantem músicas que disseminam violência contra mulheres, homossexuais ou contra qualquer religião.

Estádio também é lugar de educação e respeito.
Jesus Tricolor.

Jesus Tricolor

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