Arruda, um estádio feito de cimento e suor

Um apanhado histórico e atual de uma das construções mais emocionantes no âmbito esportivo nacional.


Em 1954 o político José do Rêgo Maciel, doou um terreno para que uns jovens boleiros de Recife pudessem treinar. Na época, aqueles garotos, era um time modesto mais que estava atraindo as atenções no âmbito esportivo devido às façanhas contra os times tradicionais do sul e sudeste do Brasil, o Santa Cruz. Por causa disso, investidores foram atraídos para que o estádio do Arruda fosse erguido e aquele time que estava na moda tivesse um lugar pra mandar seus jogos.

Desde aquela época, várias mobilizações de torcedores fizeram com que o estádio começasse a ser levantado e aos poucos ampliado no decorrer das décadas. Uma história nunca vista até hoje no esportismo nacional. As pessoas levavam materiais de construção e ainda se voluntariavam para construir aquela que seria suas segundas casas. Foi uma construção movida a doações, sangue, suor e lágrimas de centenas de pessoas apaixonadas.


“Antes mesmo de construir o Arruda, os dirigentes da época começaram a vender alguns lugares para arrecadar dinheiro para a compra de material de construção. Quando isso foi feito, uma multidão resolveu ir ajudar na construção. Levantamos uma arquibancada de madeira que ficava do lado do Sol e um cercado”, contou o aposentado Fernando da Silva, 77 anos. Ele foi um dos voluntários que trabalhou na edificação do Colosso.

O local também era onde os jovens de antigamente não conviveram com racismo ou qualquer outro tipo de preconceito tão vivente no esporte daquela época. No Arruda eram feitas reuniões de futebolistas que se sentiam afetados pelo formalismo difamador dos outros locais de prática esportiva. Esse tipo de conduta preconceituosa era altamente repudiado por Maciel, que além de amante do futebol e do Santa Cruz, foi um dos melhores prefeitos que Recife já teve. Seu mandato foi indicação do então governador de Pernambuco, Etelvino Lins.


O Estádio José do Rêgo Maciel é hoje é conhecido popularmente como Estádio do Arruda ou Colosso do Arruda ou ainda Mundão do Arruda. Esses apelidos que impõe grandeza não são para menos. O Arruda é o terceiro maior estádio particular do Brasil. Desde 2007 pra cá, suas arquibancadas são locais da maior média de público do futebol brasileiro, apesar de boa parte destes anos não terem sido um dos melhores na história do Clube. Isso é mais um exemplo do amor histórico e calejado de seus seguidores.

Segundo o presidente da comissão patrimonial do Arruda, José Augusto Alves Neto, o estádio hoje tem capacidade para 80.000 espectadores sentados, mas seus recordes de público já foi muito além disso. Em jogo pelas eliminatórias da copa do mundo de 1994, a seleção brasileira venceu a Bolívia por 6 x 0 com um público de nada mais nada menos, 97.000 pessoas. Pouco mais de cinco anos, o Arruda foi local de 96.000 pessoas num clássico das multidões onde o jogo acabou 1 x 1.
Construção das arquibancadas de madeira. Década de 50. Ano desconhecido.

Hoje o campeonato pernambucano tem a maior média de público entre todos os estaduais do Brasil graças ao estádio do Arruda. Seus “moradores” já tiveram até destaque internacional devido às grandes multidões e as grandes festas dentro dele.

Ainda segundo Alves Neto, existe um projeto para ampliação e modernização do Arruda, mas isso ainda está sendo estudado. Por enquanto o local está sendo cogitado como o principal local de treinamento para as seleções que jogarão pelo Nordeste durante a copa do mundo de 2014.

São cerca de R$850 mil por ano para manutenção do local. Pintura e as partes elétricas e hidráulicas são as áreas onde o gasto é maior desse total. Mesmo com um grande investimento, Alves Neto ainda afirma que o dinheiro é insuficiente para as melhorias.

“Ainda é necessário investimentos de patrocinadores, mas é esperado que a situação melhore este ano devido aos últimos acontecimento no cenário esportivo, financeiro e questões de infraestrutura no estado de Pernambuco”, disse em entrevista ao portal NE10.


O aposentado Fernando da Silva diz que disposição é o que não falta para manter a estrutura histórica do Arruda. “Se for preciso de novo eu vou lá ajudar nessa ampliação”, comentou.

Um gigante de concreto cheio de histórias emocionantes. Já foi um local de bailes carnavalescos para os moradores da zona norte. Lá famílias foram criadas e até hoje é um lugar onde se formam amizades eternas. Os anos se passam e a cada geração, o Arruda continua sendo local de contos marcantes na vida de milhões de pessoas.

Por: Júnior Aguiar








Santa Cruz News

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