Vai para a área, Magrão


Diversos estádios de futebol no Brasil têm suas próprias rádios. O sistema de som tem papel informativo, como, por exemplo, anunciar escalação e substituições. No Brasil ainda se tolera interação direta com a torcida, apenas antes dos jogos e durante os intervalos, no sentido de incentivar ela a apoiar o time. Entretanto, é probida qualquer manifestação motivacional enquanto o jogo estiver em andamento, a bola rolando. Na final do Pernambucano 2012, essa norma foi rasgada pelo locutor Júnior Viana, da Rádio Ilha, que agiu irresponsavelmente com o microfone na mão, perturbando a partida.

Durante a maior parte do segundo tempo, quando o Santa Cruz estava em vantagem no placar, o locutor perdeu completamente o controle e a postura. Ele repetiu gritos, berros, com volume altíssimo, com frases de efeito para tentar motivar os jogadores. Frases como "Lutem!", repetidas ao infinito, incitações ao grito do Cazá, Cazá e até orientações táticas foram feitas.

O narrador chegou ao absurdo de gritar para que o goleiro Magrão fosse para a área do Santa Cruz tentar o gol em jogada de bola parada. Com o seu megafone perturbador, quis ser o 2º treinador e o 12º jogador do Sport, acima da torcida. Ali não é lugar de líder de torcida. Cena de futebol de várzea. Não de futebol profissional.

O futebol pernambucano, se quiser realmente ser um dos mais fortes do Brasil, tem que banir esse comportamento amador. O mais sensato seria afastar o locutor dessa função. Se continuar, que se comporte como deve, e não como deseja. Não pode continuar essa bagunça. Cabe aos dirigentes do Sport tomar alguma providência, isso não pode voltar a acontecer. Representantes de clubes não devem minimizar o que está errado. 

É pertinente questionar se mesmo para o time do Sport esse tipo de comportamento é positivo. Na ocasião de ontem, o jogo já estava nervoso, e os gritos de guerra (literalmente) podem ter tido efeito reverso de piorar a situação. Tormou a situação mais dramática.

Ressalte-se que a interação entre rádio e torcedores antes do jogo e durante o intervalo só é tolerada localmente. A Conmebol veta. Na Libertadores da América, em 2009, um árbitro estrangeiro registrou na súmula que a atividade da Rádio Ilha atrapalhava e, por isso, passou a ser proibida a orquestração do Cazá, Cazá nas oitavas de final. Para driblar essa determinação, o locutor puxou por uma emissora de rádio comum, mas não pelo som do estádio. O velho jeitinho.

O locutor, neste domingo, agiu de forma irresponsável e intolerável. Ainda chegou a elogiar uma torcida organizada que foi vetada de entrar no estádio. Se a uniformizada está proibida, se essa medida está tendo efeito positivo, é mais um erro fazer a apologia que ele fez.

MAIS PROBLEMAS

E essa não foi a principal ocorrência negativa durante a partida. Houve duas invasões de campo. Primeiro, um torcedor do Santa Cruz entrou no gramado e foi imobilizado por um bombeiro. Depois, um torcedor do Sport, aparentemente vindo das sociais, invadiu e partiu para agredir o jogador Carlinhos Bala, do Santa Cruz, que respondeu com um soco no invasor. Mais cenas lamentáveis. 


Fonte: Blog do Torcedor / SJC

Santa Cruz News

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