Vicktor Tigre, da Rádio Capibaribe, entrevista Jesus Tricolor.

1) Jesus Tricolor, o que você espera do Santa Cruz diante essa nova etapa, que é a Série C do Brasileirão?
Jesus Tricolor recebe Vicktor Tigre em sua casa.
Nós podemos dizer que temos uma equipe competitiva e que chega com a moral de ser a Bicampeã do Estado. Penso que Zé poderia ser mais ousado no esquema tático, como fez no jogo da final contra o Sport, quando colocou Branquinho no lugar de Luciano Henrique e Memo na lateral direita (no lugar de Diogo). A nossa torcida não aguenta mais esquemas retranqueiros e ficamos surpresos com o poder ofensivo do Santa nos dois jogos da final, quando Zé resolveu usar todo poder de ataque que tinha. O resultado está ai: Santa BICAMPEÃO. Mas ainda é preciso fazer algumas contratações, principalmente para a zaga e lateral direita.


2) Jesus tricolor, como você vê a saída de Bala e a chegada de Paulista para o elenco coral?
Bala já não é mais o mesmo. A torcida ainda guarda muitas mágoas dele, devido a sua falta de personalidade no passado. Acho que ele saiu do Santa porque não rendeu o que esperávamos e porque o grupo do Santa evoluiu, não restando mais espaço para o futebol dele. Mas, a me ver, Bala mudou muito (para melhor) em relação a sua postura como ser humano. Hoje ele está mais maduro interiormente, evitando conflitos e polêmicas. Mas aquele jeito moleque dele é sua marca registrada e nunca vai mudar. Temos que agradecer por ele, dessa vez, ter entrado e saído do Santa, sem conflitos. É sempre bom mantermos as portas abertas. Vai na paz, Caaar-liiiin-hoos BALA! BALA!

Paulista vai chegar na mesma situação com a torcida que Bala chegou: em conflito. Ano passado Paulista não quis vir pro Santa porque estávamos na série D. Agora que o Santa está num momento de glórias, todo mundo que vir pro Arrudão. Até Paul McCartney fez questão vir pro Arruda.
Paulista vai ter a mesma oportunidade de se redimir, mostrando dentro de campo, que tem lugar nessa equipe. Eu não sou de guardar mágoas do passado. Acho que ele, assim como qualquer outro, pode ter uma segunda chance de contribuir para o clube.
Se o clube fez a escolha por esse jogador, é porque tem profissionais que analisaram tecnicamente que ele seria viável. Vamos aguardar e apoiar o Paulista.

3) Quais dos times em que o Santa Cruz deverá tomar cuidado na Série C do Brasileirão?
 Com todos! Ficar subestimando equipes só porque elas não têm uma torcida tão grande como a nossa, porque não tem a estrutura que temos, ou porque não têm os salários dos nossos jogadores, é falta de humildade. Quem diria que perderíamos o título da série D para o Tupi, por exemplo? No futebol a gente não trabalha com “certezas”, mas com “possibilidades”. As vezes, existe uma possibilidade maior de uma determinada equipe ganhar, por ter mais elementos que contribuam para a vitória. Mas, pode ser que naquele dia específico, a equipe favorita seja inferior.
Eu jamais vou querer um Santa Cruz soberbo. Nossa marca registrada é a humildade. Portanto, temos quer tomar cuidado com todos os clubes nessa série C.

4) Em relação a iniciativa do presidente Coral, Antônio Luiz Neto, em trazer o Programa Todos com a Nota para a Série C, você acredita que isso democratiza o futebol?
É até estranho a gente ter que apelar para um programa do governo, para termos certa democracia num esporte que, de cara, nós vemos que é do povo. Sem falar que o acesso a cultura e ao lazer deve ser garantido pelo Estado.
Mas isso só revela que o futebol está cada vez mais elitizado e excludente. Nesse sentido, essa ideia das “arenas” é muito perigosa, pois ela é copia de um modelo europeu que não se adequa as realidade brasileiras.
Em relação ao TCN, eu não vejo o Todos Com Nota como uma forma de democratizar, uma vez que o objetivo desse programa é fazer o Estado arrecadar mais tributos, e não ajudar aos pobres a ter acesso à cultura e lazer. Para democratizar o futebol, nós precisaríamos acabar com as barreiras econômicas que nos separam. E essas barreiras são muito visíveis dentro dos estádios. Observem que há lugares com cadeiras (para a classe A), há lugares para a classe B (nas sociais); lugares para a classe C (na arquibancada) e lugares para a classe D (na geral). A classe “E” nem entra, eu acho. Isso é democracia? Quando a gente puder andar por todos os lugares do Estádio, com um preço popular, ai estaremos nos aproximando da democracia. Por enquanto, o que vejo é uma nítida divisão de classes.
Mas acho importante que o TCN exista, desde que repassando os mesmos valores a todos os clubes.

Zé Teodoro reclamou bastante da torcida durante o Campeonato Pernambucano. Ele até ameaçou sair do Mais Querido caso não parassem com as críticas em cima dele. Como torcedor, o que você diria à Zé Teodoro?
Eu diria ao Zé, até em forma de brincadeira, que ele é a cara do Santa, pois ele em alguns momentos nos fez sofrer com suas escalações malucas e sua teimosia. E como para nós tudo tem que ser sofrido, ele combinou bem. (risos)
A torcida reclama do treinador, assim como um adolescente reclama das decisões dos pais. Torcedor é paixão. Mas isso não que dizer que dentro das paixões não possa existir razão também. Algumas vezes o torcedor estava certo, mas é fácil estar certo quando algo não dá errado.

Aqueles que queriam a demissão de Zé, depois da nossa derrota diante do Penarol, hoje estão gritando “Zé Te adoro”. Torcedor é assim mesmo. O que temos de fato hoje, em relação ao Zé, é que com ele fomos campeões em 2011, em 2012 e subimos à série C. As dores de cabeça que ele nos deu, foram recompensadas com essas três glórias.  
Pra terminar, eu só pediria a Zé que desse mais oportunidade ao Léo, que é um ótimo jogador, tem a característica de chutar bem de fora da área, além ele gosta muito do Jesus Tricolor e fazer a alegria das meninas com sua beleza. (risos)

Qual foi a emoção de ser lembrado pelo clube durante o amistoso de entrega das faixas contra o CSA-AL?
Fiquei surpreso e feliz de ser citado no sistema de som do clube, na hora dos agradecimentos à diretoria, comissão técnica e a todos que fazem o Santa Cruz.
Eu sempre falo que eu sou um ator que não deu certo no teatro, mas que me sinto contemplado em encenar o personagem conhecido por Jesus Tricolor, dentro dos estádios. Já fiz o papel de Jesus Cristo numa Paixão de Cristo, em Olinda e carrego esse apelido (Jesus) há muitos anos.

O Jesus Tricolor foi, entre outras coisas, uma forma criativa e humilde que eu criei para expressar meu amor pelo clube. Mas eu não estou dentro dos estádios para gritar palavrões, para beber, para ofender torcedores rivais, nem para cantar músicas violentas. Eu estou ali, também, para fazer as pessoas refletirem sobre suas vidas, para dialogar com todos no sentido de rever suas posturas, para propor projetos e fazer o bem.

Hoje em dia, o clube já me reconhece como um torcedor que tem essas características e, por isso, me incluiu nos agradecimentos dessa linda trajetória de glórias que estamos vivendo. Foi lindo. Obrigado ao Santa por eu fazer parte dessa família. Tenho orgulho de ser desse clube.


Vicktor Tigre é jornalista da Rádio Capibaribe AM 1240

Jesus Tricolor

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